No mês passado refletimos sobre o clientelismo e a corrupção eleitoral, apontando-os como uma ameaça à democracia. Agora vamos tratar do processo eleitoral propriamente dito. Vamos entrar no assunto fazendo uma pergunta que pode até parecer boba: você sabe qual o destino do seu voto? Muita gente pensa que o voto vai diretamente para o candidato, mas aí existe um "detalhe" ao qual é preciso ficar atento: a apuração dos votos em eleições majoritárias (como de prefeito) é muito diferente da apuração em eleições proporcionais (&eacu te; o caso da eleição de vereadores).
Quando se trata de eleger prefeito municipal, os candidatos disputam uma única vaga, sendo eleito quem obtiver a maioria dos votos, por isso é uma eleição majoritária. Já na eleição de vereadores os candidatos e candidatas disputam várias vagas (municípios menores têm 7 vereadores os maiores podem ter até 51) e por isso é uma eleição proporcional Aqui vem o "detalhe" que precisamos conhecer, para não nos deixarmos enganar por políticos espertalhões.
Para facilitar a compreensão do processo, tomemos como exemplo o município de Belo Horizonte, que em 2004 tinha 1.680.000 eleitores e 41 vereadores. Como 400.000 pessoas se abstiveram de votar ou votaram nulo, foram dados 1.280.000 votos para preencher as vagas na Câmara Municipal: aproximadamente 31.200 votos por vaga. Este é o "detalhe" que determina os eleitos: é o quociente eleitoral. (Como esse número varia de um município para outro, se você quiser conhecer o quociente eleitoral de outros municípios, acesse a página do TSE: www.tse.gov.br/eleiçoes).
Pois bem, as vagas na Câmara Municipal não são preenchidas pelos candidatos com maior número de votos, e sim pelo total de votos dados aos candidatos do mesmo Partido (isoladamente ou coligados - mas, para simplificar, deixamos de lado a coligação). Ou seja, cada Partido soma a votação de todos os seus candidatos mais os votos na legenda. Se um Partido não alcançar o quociente eleitoral, não elegerá vereador e seus votos se "perdem". Se tiver 31.200, elegerá um vereador, se tiver 2 x 31.200 elegerá dois, e assim por diante. Para preencher as últimas vagas, o número de votos necessários pode ser inferior ao quociente eleitoral. São as chamadas "sobras", repartidas entr e os Partidos que fizerem pelo menos um vereador.
É na distribuição das vagas a que tem direito o Partido, que valem os votos nominais. Se o Partido tiver direito a 3 vagas, serão eleitos os 3 candidatos mais votados do Partido, ficando os seguintes mais votados como 1º, 2º e 3º suplentes. No caso de Belo Horizonte, o vereador mais votado na última eleição, recebeu 20.157 votos; o menos votado, 3.685. Nenhum deles teve votação suficiente para alcançar o quociente eleitoral. Eles só foram eleitos porque foram beneficiados pelos votos de seu Partido.
IDENTIDADE PARTIDÁRIA
Esse sistema eleitoral contribui para garantir a representatividade dos cidadãos, porque o voto dado a um candidato menos votado ajuda a eleger outro candidato do mesmo Partido. Como os Partidos devem ter o mesmo ideário político, podemos esperar que todos os candidatos e candidatas do mesmo partido se identifiquem com o seu projeto. Daí a importância de terem os candidatos a mesma identidade partidária, não reduzindo o Partido a uma simples legenda eleitoral. Havendo coerência partidária, não existe "voto perdido" em eleições proporcionais (exceto quando o Partido não alcança o quociente eleitoral).
Mas esse sistema pode também distorcer a representatividade ao facilitar a eleição de políticos profissionais que estimulam a candidatura de pessoas desinformadas, somente para acrescentarem votos ao seu Partido. Tais políticos induzem pessoas estimadas em suas comunidades a se candidatarem à Câmara de Vereadores, porque elas trazem votos sem contudo colocarem em risco seu favoritismo. Passadas as eleições, essas pessoas descobrem que foram usadas apenas como alavancas eleitorais.
Talvez você conheça um desses casos em que a politicagem prejudica as comunidades: uma pessoa de liderança se candidata a vereador, vê seus votos favorecerem quem não merece e frustra-se com a política. Isso não acontece com quem sabe que sua candidatura visa apenas colaborar com seu Partido. Quando, porém, a pessoa é envolvida na campanha na ilusão de conseguir eleger-se, a frustração pode ser grande. Em geral, sua campanha não destaca o Partido, mas sim sua vida pessoal e familiar, sua participação na Igreja, sua honestidade pessoal e outros temas alheios à política. Por isso não são raros os casos em que líderes usados para alavancarem campanhas de políticos profissionais provocam divisões na comunidade.
VAMOS PARTICIPAR!
É evidente que os cristãos leigos e leigas podem e devem participar de campanhas eleitorais, mas é preciso que essa participação tenha bem clara as regras do jogo eleitoral. E nunca esquecer a recomendação de Jesus:
"Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos; sede pois prudentes como as serpentes e simples como as pombas" (Mt. 10, 16).
Entender o atual sistema eleitoral, com suas regras de afiliação partidária e apuração dos votos, é importante para saber qual será o destino do nosso voto. Voto para vereador não se "perde", porque conta como legenda para um Partido. Informar-se sobre os outros candidatos lançados pelo Partido do candidato em quem desejamos votar, é tão ou mais importante quanto informar-se sobre suas qualidades e sua capacidade para o exercício de cargo político. Não esquecer que o voto vai primeiro para o Partido e só depois para o candidato.
Agora que você conhece o "detalhe" aonde pode se esconder a politicagem nas eleições para vereador,procure refletir sobre os candidatos e candidatas que estão pedindo seu voto
Algumas perguntas podem ajudar:
· Como essas pessoas apresentam seu Partido?
· Elas são parte de um projeto político-partidário sério e democrático, ou só vão "alavancar" algum político profissional?
· Você está disposto a colaborar para a vitória de uma candidatura na qual confia? Se você tem vontade de colaborar, ótimo! Mas não se deixe iludir por políticos espertalhões.
Folheto produzido pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Arquidiocese de Belo Horizonte em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião - PUC Minas. Mais informações no site www.pucminas.br/nesp, ou no Vicariato para Ação Social e Política:(31)34224430
quarta-feira, 9 de julho de 2008
SATISFAÇÃO, CONTENTAMENTO, GRAÇA E PAZ.
Pe. Joãozinho, transmitiu de coração para coração a Palavra do Senhor. Os testemunhos, a presença, a fidelidade, os valores da família, estão sendo resgados.
Aos que foram, com certeza, voltaram mais encorajados, mais esperançosos, mais cheio de Graça e da Paz do Senhor.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
ANO PAULINO
O Papa Bento XVI, conclamou na Basílica de São Paulo fora dos muros, no sul de Roma, a todos os católicos do mundo a celebrar e vivenciar o Ano Paulino - que ocorrerá no período de 28/06/08 a 29/06/09.
O Ano Paulino é uma homenagem a são Paulo, o apóstolo por excelência e da universalidade, essa proclamação surge para marcar os dois mil anos do nascimento do apóstolo dos gentios.
Em Imperatriz, vamos fazer a celebração de abertura, no dia 28 de junho às 19h00 na Matriz de Santa Tereza, oportunidade em que a Comunidade estará inaugurando as novas salas do centro de catequese.
O exemplo de apostolicidade e missionariedade de São Paulo nos motiva e nos impulsiona a todos nós a não nos cansarmos de fazer o bem, evangelizando e anunciando a todos a riqueza da PALAVRA DE DEUS.
O Ano Paulino é uma homenagem a são Paulo, o apóstolo por excelência e da universalidade, essa proclamação surge para marcar os dois mil anos do nascimento do apóstolo dos gentios.
Em Imperatriz, vamos fazer a celebração de abertura, no dia 28 de junho às 19h00 na Matriz de Santa Tereza, oportunidade em que a Comunidade estará inaugurando as novas salas do centro de catequese.
O exemplo de apostolicidade e missionariedade de São Paulo nos motiva e nos impulsiona a todos nós a não nos cansarmos de fazer o bem, evangelizando e anunciando a todos a riqueza da PALAVRA DE DEUS.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Comitês 9840 se mobilizam na coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular
A campanha pela coleta das 1,3 milhão de assinaturas para o novo Projeto de Lei do MCCE cresce em todo o país. Em vários estados, os Comitês 9840 se mobilizam para conseguir assinaturas dos eleitores e, mais que isso, conscientizar a população da importância do PL. A campanha também já conta com o trabalho de entidades voluntárias.
De norte a sul do país, militantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) se engajam na coleta de assinaturas para o novo Projeto de Lei de iniciativa popular. A meta é alcançar o mínimo de um milhão e trezentas mil assinaturas para levar o PL à Câmara Federal. Com o crescimento da mobilização, a expectativa do MCCE é superar essa meta.
Depois da conquista da Lei 9.840 - que permite a cassação de registros e diplomas eleitorais em virtude da prática da compra de votos ou do uso eleitoral da máquina administrativa - o MCCE busca agora alterar a Lei de Inelegibilidades, impedindo que candidatos condenados por crimes graves possam disputar eleições. Para isso, o Movimento conta com o apoio dos Comitês 9840 espalhados pelo país. As campanhas para coletar assinaturas acontecem em diversos estados e municípios brasileiros e vem ganhando força e apoio da população.
No Pará, desde abril, a ação do Comitê Estadual envolve seminários nos municípios, estímulo à criação de novos comitês e a coleta de assinaturas. "A gente passa orientação, estimula a participação e as pessoas estão acatando nossa causa", comemora a representante do Comitê, Irmã Marie Henriqueta. A mobilização pretende atingir toda a população do Estado. "As pessoas estão recebendo bem nossa proposta. O Pará vai dar uma contribuição muito boa na coleta de assinaturas", garante Irmã Henriqueta. O Comitê 9840 no Estado é formado pela Comissão Brasileira Justiça e Paz (CNBB Regional Norte 2), pela OAB/PA e pelo Ministério Público Federal (MPF).
Em São Paulo, no Comitê 9840 de Bertioga, o trabalho de coleta de assinaturas segue em ritmo acelerado. A coordenadora do Comitê, Kátia Hidalgo Daia, explica: "A prioridade do Comitê é fazer o maior número de palestras possíveis, com o objetivo de orientar a população a não vender o seu voto e de coletar assinaturas para o novo PL". O Comitê investe em ações estratégicas para conseguir o máximo de assinaturas possíveis. Uma das idéias é estabelecer parcerias com associações de classe. A meta é preencher 80 formulários utilizando a estratégia de realizar palestras junto aos associados da Câmara de Dirigentes Logistas de Bertioga, Associação Comercial, Associação dos Engenheiros, Rotary Club, Lions Club, para estimulá-los a conseguir assinaturas junto a seus funcionários, parentes e vizinhos.
Os esforços dos Comitês 9840 também ganham apoio de grupos sociais. No Paraná, por exemplo, a Pastoral Fé e Política, da Diocese de Guarapuava, aderiu voluntariamente à campanha. Ligada à CNBB, a Pastoral se mobilizou e vem repassando as informações do PL a todas as paróquias e associações de bairro do município, com apoio da Associação Comercial e Industrial de Guarapuava (Acig). A meta é conseguir 30 mil assinaturas. À frente do movimento, junto com outros militantes, José Lima Silva, participante da Pastoral, diz que tudo começa pela conscientização das pessoas sobre a importância da iniciativa. "Nós fazemos um trabalho de base. Explicamos as razões das assinaturas e mostramos como se faz para participar", ressalta José Lima.
Ações como estas acontecem em diversos outros estados e municípios. Qualquer eleitor brasileiro pode contribuir com sua assinatura para o Projeto de Lei de iniciativa popular, pretendendo que a vida pregressa dos candidatos seja considerada na Lei de Inelegibilidades.
Mais informações sobre a nova iniciativa do MCCE e o formulário para coleta de assinaturas estão disponíveis no link: http://www.lei9840.org.br/iniciativapopular.htm
De norte a sul do país, militantes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) se engajam na coleta de assinaturas para o novo Projeto de Lei de iniciativa popular. A meta é alcançar o mínimo de um milhão e trezentas mil assinaturas para levar o PL à Câmara Federal. Com o crescimento da mobilização, a expectativa do MCCE é superar essa meta.
Depois da conquista da Lei 9.840 - que permite a cassação de registros e diplomas eleitorais em virtude da prática da compra de votos ou do uso eleitoral da máquina administrativa - o MCCE busca agora alterar a Lei de Inelegibilidades, impedindo que candidatos condenados por crimes graves possam disputar eleições. Para isso, o Movimento conta com o apoio dos Comitês 9840 espalhados pelo país. As campanhas para coletar assinaturas acontecem em diversos estados e municípios brasileiros e vem ganhando força e apoio da população.
No Pará, desde abril, a ação do Comitê Estadual envolve seminários nos municípios, estímulo à criação de novos comitês e a coleta de assinaturas. "A gente passa orientação, estimula a participação e as pessoas estão acatando nossa causa", comemora a representante do Comitê, Irmã Marie Henriqueta. A mobilização pretende atingir toda a população do Estado. "As pessoas estão recebendo bem nossa proposta. O Pará vai dar uma contribuição muito boa na coleta de assinaturas", garante Irmã Henriqueta. O Comitê 9840 no Estado é formado pela Comissão Brasileira Justiça e Paz (CNBB Regional Norte 2), pela OAB/PA e pelo Ministério Público Federal (MPF).
Em São Paulo, no Comitê 9840 de Bertioga, o trabalho de coleta de assinaturas segue em ritmo acelerado. A coordenadora do Comitê, Kátia Hidalgo Daia, explica: "A prioridade do Comitê é fazer o maior número de palestras possíveis, com o objetivo de orientar a população a não vender o seu voto e de coletar assinaturas para o novo PL". O Comitê investe em ações estratégicas para conseguir o máximo de assinaturas possíveis. Uma das idéias é estabelecer parcerias com associações de classe. A meta é preencher 80 formulários utilizando a estratégia de realizar palestras junto aos associados da Câmara de Dirigentes Logistas de Bertioga, Associação Comercial, Associação dos Engenheiros, Rotary Club, Lions Club, para estimulá-los a conseguir assinaturas junto a seus funcionários, parentes e vizinhos.
Os esforços dos Comitês 9840 também ganham apoio de grupos sociais. No Paraná, por exemplo, a Pastoral Fé e Política, da Diocese de Guarapuava, aderiu voluntariamente à campanha. Ligada à CNBB, a Pastoral se mobilizou e vem repassando as informações do PL a todas as paróquias e associações de bairro do município, com apoio da Associação Comercial e Industrial de Guarapuava (Acig). A meta é conseguir 30 mil assinaturas. À frente do movimento, junto com outros militantes, José Lima Silva, participante da Pastoral, diz que tudo começa pela conscientização das pessoas sobre a importância da iniciativa. "Nós fazemos um trabalho de base. Explicamos as razões das assinaturas e mostramos como se faz para participar", ressalta José Lima.
Ações como estas acontecem em diversos outros estados e municípios. Qualquer eleitor brasileiro pode contribuir com sua assinatura para o Projeto de Lei de iniciativa popular, pretendendo que a vida pregressa dos candidatos seja considerada na Lei de Inelegibilidades.
Mais informações sobre a nova iniciativa do MCCE e o formulário para coleta de assinaturas estão disponíveis no link: http://www.lei9840.org.br/iniciativapopular.htm
quinta-feira, 19 de junho de 2008
PE. JOÃOZINHO
Justiça também para os detentos
Apelo da Paróquia São João Batista sobre a situação no presídio de Açailândia
João Batista terminou sua vida dentro da cadeia, onde experimentou outro deserto de sua vida: o desespero, a dúvida, a solidão... até a morte violenta.
Também Jesus passou preso a última noite de sua vida. Antes disso, ele tinha dito: “todas as vezes que vocês visitarão um preso, é a mim que estarão visitando”.
Nesses dias de festejo, “Com João Batista para uma Açailândia de Justiça”, a Paroquia de São João não pode calar frente à violência e à situação desumana em que vivem os presos na delegacia de Açailândia.
É a partir desses lugares que devemos começar a buscar o Reino de Deus e sua Justiça.
Nelson Mandela dizia que ninguém conhece verdadeiramente uma nação até que tenha estado dentro de suas prisões.
Realmente, no Brasil inteiro o sistema prisional é cheio de contradições: 7 em cada 10 que são soltos por terem cumprido a pena, acabam voltando à prisão por novos delitos.
Os nossos presídios tornam-se um grande reprodutor, uma incubadora de violência que vai se refletir na sociedade.
Além de 70% da população carcerária têm entre 18 e 27 anos: com os presídios de hoje estamos educando as novas gerações à violência.
A delegacia de Açailândia comprime cerca de 100 pessoas num espaço restrito de somente quatro celas. Um grupo, de sobra, não cabendo nas celas fica recluso no pátio, na área do sol: nos dias de chuva os presos têm que se apertar às paredes para não molharem.
Há superlotação, brigas, ameaças, sequestros, fugas, morte dentro da delegacia por atraso de curas médicas.
A pastoral carcerária da Paróquia São João está tentando visitar os presos, mas as condições precárias da delegacia muitas vezes não permitem realizar os encontros.
O delegado, mesmo demonstrando compromisso e disponibilidade, não dispõe de forças e recursos suficientes para melhorar a situação.
Essa violência tem que acabar! Não podemos aceitar que seres humanos sejam tratados como animais à espera da condenação.
Há alternativas e soluções: meses atrás o Governo do Estado propôs à cidade a construção de um novo Centro de Ressocialização, nos moldes do projeto APAC (Associação de Proteção aos Condenados).
Uma estrutura nova, maior, edificada com o dinheiro do Estado, hospedando só presos de nossa região, próximos às suas famílias. Um centro de recuperação, não mais um depósito de pessoas descartáveis. Costruído com medidas de segurança modernas, garantiria melhores condições de vida para os presos e mais segurança para a população.
Houve muito debate, críticas e omissões: não está se conseguindo encontrar um terreno onde construir esse novo Centro.
A Paróquia São João Batista, em nome de seu padroeiro, renova seu preocupado apelo aos responsáveis políticos e à população em geral, para que seja encaminhada quanto antes a construção do Centro de Ressocialização, conforme as indicações do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos, em Outubro de 2007:
- seja respeitada a capacidade máxima, de 120 pessoas
- sejam hospedados somente presos de nossa Regional
- sejam providenciados mais delegados de Polícia e a 5ª Companhia de Polícia de Açailândia-MA seja transformada em Batalhão de Polícia
- o Município e o Estado finalmente invistam em medidas de redução da violência, assistência jurídica integral, defensoria pública, investigação e defesa dos direitos dos mais pobres.
João Batista terminou sua vida dentro da cadeia, onde experimentou outro deserto de sua vida: o desespero, a dúvida, a solidão... até a morte violenta.
Também Jesus passou preso a última noite de sua vida. Antes disso, ele tinha dito: “todas as vezes que vocês visitarão um preso, é a mim que estarão visitando”.
Nesses dias de festejo, “Com João Batista para uma Açailândia de Justiça”, a Paroquia de São João não pode calar frente à violência e à situação desumana em que vivem os presos na delegacia de Açailândia.
É a partir desses lugares que devemos começar a buscar o Reino de Deus e sua Justiça.
Nelson Mandela dizia que ninguém conhece verdadeiramente uma nação até que tenha estado dentro de suas prisões.
Realmente, no Brasil inteiro o sistema prisional é cheio de contradições: 7 em cada 10 que são soltos por terem cumprido a pena, acabam voltando à prisão por novos delitos.
Os nossos presídios tornam-se um grande reprodutor, uma incubadora de violência que vai se refletir na sociedade.
Além de 70% da população carcerária têm entre 18 e 27 anos: com os presídios de hoje estamos educando as novas gerações à violência.
A delegacia de Açailândia comprime cerca de 100 pessoas num espaço restrito de somente quatro celas. Um grupo, de sobra, não cabendo nas celas fica recluso no pátio, na área do sol: nos dias de chuva os presos têm que se apertar às paredes para não molharem.
Há superlotação, brigas, ameaças, sequestros, fugas, morte dentro da delegacia por atraso de curas médicas.
A pastoral carcerária da Paróquia São João está tentando visitar os presos, mas as condições precárias da delegacia muitas vezes não permitem realizar os encontros.
O delegado, mesmo demonstrando compromisso e disponibilidade, não dispõe de forças e recursos suficientes para melhorar a situação.
Essa violência tem que acabar! Não podemos aceitar que seres humanos sejam tratados como animais à espera da condenação.
Há alternativas e soluções: meses atrás o Governo do Estado propôs à cidade a construção de um novo Centro de Ressocialização, nos moldes do projeto APAC (Associação de Proteção aos Condenados).
Uma estrutura nova, maior, edificada com o dinheiro do Estado, hospedando só presos de nossa região, próximos às suas famílias. Um centro de recuperação, não mais um depósito de pessoas descartáveis. Costruído com medidas de segurança modernas, garantiria melhores condições de vida para os presos e mais segurança para a população.
Houve muito debate, críticas e omissões: não está se conseguindo encontrar um terreno onde construir esse novo Centro.
A Paróquia São João Batista, em nome de seu padroeiro, renova seu preocupado apelo aos responsáveis políticos e à população em geral, para que seja encaminhada quanto antes a construção do Centro de Ressocialização, conforme as indicações do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos, em Outubro de 2007:
- seja respeitada a capacidade máxima, de 120 pessoas
- sejam hospedados somente presos de nossa Regional
- sejam providenciados mais delegados de Polícia e a 5ª Companhia de Polícia de Açailândia-MA seja transformada em Batalhão de Polícia
- o Município e o Estado finalmente invistam em medidas de redução da violência, assistência jurídica integral, defensoria pública, investigação e defesa dos direitos dos mais pobres.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Caça de votos nas comunidades
Cilto José Rosembach*
No período eleitoral as comunidades são assediadas pelos canditados. É importante destacar que, há candidatos e candidatos. Há os que rondam as comunidades para oferecer doações: material de construção, projetos de obras, tinta, equipamentos de som, ônibus para o passeio e outros benefícios.
Alguns candidatos se fazem acompanhar por lideranças influentes na região ou na comunidade. Freqüentam missas e celebrações, até se apresentam para fazer uma leitura, ou usar a palavra na hora dos avisos e recados.
Bem, há orientação Bíblica para esse tipo de situação? Em Mt 6,1-4, há uma orientação clara sobre a esmola: seja dado sem querer aparecer, receber elogios, agradecimentos, que seja dada em segredo, ou seja, dê de graça o que de graça recebeste. Em (Mt. 10,8) a doação é graça, não se espera e não se pede nada em troca, não se barganha, não é comércio.
Aos que desejam usar um espaço durante a celebração e se oferecem para proclamar um texto bíblico, nada entendem sobre a importância da Palavra de Deus. Recordo: quem deve estar em evidência é a Palavra de Deus. O leitor ou leitora, são simples instrumentos desta Palavra, são mediadores que emprestam a sua voz.
Há uma terceira situação escandalosa. É o candidato que espera o momento dos avisos da comunidade. Ele se faz apresentar por uma liderança, diz que vai dar um recado importante, e se apresenta como candidato a vereador, por exemplo.
Lideranças de comunidades que apresentam candidatos políticos nas condições acima ou agem de má fé ou são ingênuas. Os políticos não são nada ingênuos, pelo contrário são muito espertos.
Durante a celebração da missa ou da celebração da Palavra na comunidade não se abre espaço, em nenhum momento, para nenhum candidato às eleições.
Sobre doações, a legislação eleitoral é muito clara. A lei 9.840 diz o que é proibido a qualquer candidato: “doar, oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor, com fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública.”
É claro que o cristão não pode ficar omisso diante do processo eleitoral. Pois, todos somos políticos, e “política tem que ser a arte de administrar a felicidade de todos”. Mas para apresentar e debater com candidatos há outros momentos que a comunidade pode e deve criar, a critério dos agentes de pastoral, do padre e dos Conselhos de pastoral e administrativo, que juntos devem tomar as decisões.
Lembrem-se há muitos candidatos oportunistas que usam do espaço da comunidade para fazer sua campanha. Portanto, é preciso conhecer a historia do candidato, com quem ele anda o que fez e como fez. Se de fato está do lado do povo mais necessitado, que projetos ele tem, são projetos que defendem a vida. Suas propostas são de fato viáveis para se por em prática, se é coerente com o que diz, faz e vive. Com que partido está comprometido e com quem o partido faz alianças, etc.
Saibam que: Voto não tem preço, tem conseqüências.
*Cilto José Rosembach, mestre em comunicação, presidente da Associação Cantareira, diretor do Jornal Cantareira, pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia-Vila Progresso - Morro Grande, assessor da Pastoral da Comunicação e Pastorais Sociais na região Episcopal Brasilândia - SP.
No período eleitoral as comunidades são assediadas pelos canditados. É importante destacar que, há candidatos e candidatos. Há os que rondam as comunidades para oferecer doações: material de construção, projetos de obras, tinta, equipamentos de som, ônibus para o passeio e outros benefícios.
Alguns candidatos se fazem acompanhar por lideranças influentes na região ou na comunidade. Freqüentam missas e celebrações, até se apresentam para fazer uma leitura, ou usar a palavra na hora dos avisos e recados.
Bem, há orientação Bíblica para esse tipo de situação? Em Mt 6,1-4, há uma orientação clara sobre a esmola: seja dado sem querer aparecer, receber elogios, agradecimentos, que seja dada em segredo, ou seja, dê de graça o que de graça recebeste. Em (Mt. 10,8) a doação é graça, não se espera e não se pede nada em troca, não se barganha, não é comércio.
Aos que desejam usar um espaço durante a celebração e se oferecem para proclamar um texto bíblico, nada entendem sobre a importância da Palavra de Deus. Recordo: quem deve estar em evidência é a Palavra de Deus. O leitor ou leitora, são simples instrumentos desta Palavra, são mediadores que emprestam a sua voz.
Há uma terceira situação escandalosa. É o candidato que espera o momento dos avisos da comunidade. Ele se faz apresentar por uma liderança, diz que vai dar um recado importante, e se apresenta como candidato a vereador, por exemplo.
Lideranças de comunidades que apresentam candidatos políticos nas condições acima ou agem de má fé ou são ingênuas. Os políticos não são nada ingênuos, pelo contrário são muito espertos.
Durante a celebração da missa ou da celebração da Palavra na comunidade não se abre espaço, em nenhum momento, para nenhum candidato às eleições.
Sobre doações, a legislação eleitoral é muito clara. A lei 9.840 diz o que é proibido a qualquer candidato: “doar, oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor, com fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública.”
É claro que o cristão não pode ficar omisso diante do processo eleitoral. Pois, todos somos políticos, e “política tem que ser a arte de administrar a felicidade de todos”. Mas para apresentar e debater com candidatos há outros momentos que a comunidade pode e deve criar, a critério dos agentes de pastoral, do padre e dos Conselhos de pastoral e administrativo, que juntos devem tomar as decisões.
Lembrem-se há muitos candidatos oportunistas que usam do espaço da comunidade para fazer sua campanha. Portanto, é preciso conhecer a historia do candidato, com quem ele anda o que fez e como fez. Se de fato está do lado do povo mais necessitado, que projetos ele tem, são projetos que defendem a vida. Suas propostas são de fato viáveis para se por em prática, se é coerente com o que diz, faz e vive. Com que partido está comprometido e com quem o partido faz alianças, etc.
Saibam que: Voto não tem preço, tem conseqüências.
*Cilto José Rosembach, mestre em comunicação, presidente da Associação Cantareira, diretor do Jornal Cantareira, pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia-Vila Progresso - Morro Grande, assessor da Pastoral da Comunicação e Pastorais Sociais na região Episcopal Brasilândia - SP.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
QUEM FOI SANTO ANTONIO?
Se maio é mês das noivas, junho é tempo de casamento na roça e Santo Antônio casamenteiro reina com todo esplendor. Santo Antônio de Lisboa, também chamado Santo Antoio de Pádua, nasceu em 15 de agosto de 1195 em Lisboa e faleceu em Pádua em 13 de junho de 1231. Morreu novinho, uns aninhos a mais do que Jesus. Seu nome de batismo era Fernando de Bulhões e Taveira Azevedo. Aos quinze anos entrou pra um convento dos Agostinianos e em 1220, com vinte e cinto anos, trocou o seu nome por Antônio e ingressou na Ordem dos Franciscanos. Era um pregador culto e apaixonado, com grande devoção aos pobres e hábil na conversão de heréticos. Lecionou teologia em várias universidades europeias. Na Itália, São Francisco de Assis o chamava de "seu Bispo" por sua erudição. Foi cognominado "martelo dos hereges". Onze meses depois de sua morte, foi canonizado.
Na diocese de Imperatriz, a cidade de Davinopolis o tem como Padroeiro. Na cidade de João Lisboa, temos uma capela de Santo Antônio e Imperatriz a Paróquia de Santo Antônio.

Igreja Matriz de Davinopolis
Capela de Santo Antônio - João Lisboa
Matriz Paroquial de Santo Antônio - Imperatriz
SANTO ANTONIO
RESPONSÓRIO DE SANTO ANTÔNIO
Se milagres desejais,
Recorrei a Santo Antônio;
Vereis fugir o demônio
E as tentações infernais.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os paduanos.
Repete-se: - Recupera-se o perdido...
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.
Repete-se: - Recupera-se o perdido...
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo
Repete-se: - Recupera-se o perdido...
V: Rogai por nós, bem-aventurado Antônio.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS Ó Deus, nós vos suplicamos, que alegre à Vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aventurado Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém. Com aprovação eclesiástica
Se milagres desejais,
Recorrei a Santo Antônio;
Vereis fugir o demônio
E as tentações infernais.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os paduanos.
Repete-se: - Recupera-se o perdido...
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.
Repete-se: - Recupera-se o perdido...
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo
Repete-se: - Recupera-se o perdido...
V: Rogai por nós, bem-aventurado Antônio.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS Ó Deus, nós vos suplicamos, que alegre à Vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aventurado Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém. Com aprovação eclesiástica
terça-feira, 10 de junho de 2008
Derrota da vida
Após várias vitórias da bioética, que anunciamos em artigo dias atrás, ao findar o mês de maio último, uma clamorosa derrota abateu-se sobre o direito à vida dos seres humanos. A decisão de seis ministros do STF, contra cinco, estabeleceu como constitucional a destruição de embriões humanos para fins de pesquisa científica e terapêutica no País. Para tentar ganhar a simpatia da população ao pretenso direito, houve campanha na mídia, indicando como resultado das pesquisas com células embrionárias a cura de doenças degenerativas. A propaganda escolheu pessoas com deficiências físicas, que em suas cadeiras de rodas foram mostradas confiantes que tal pesquisa seria a solução de seus problemas. Também utilizou-se do discutível argumento de que a maioria dos países europeus já aprovaram tais pesquisas com células embrionárias e que o Brasil, se não o fizesse, estaria em atraso.
Após a aprovação do STF, por diferença de apenas um voto, fica a pergunta: as células embrionárias são mesmo milagrosas como dizem?
Responde a ciência. O Dr.Thompson, iniciador de tais experimentações nos Estados Unidos, já abandonou, faz tempo, tais pesquisas, porque não vê nelas nenhum futuro. Os países europeus que já aprovaram a pesquisa, alguns tendo o hipócrita cuidado de não destruir embriões de seus cidadãos, mas comprando embriões estrangeiros, não apresentaram, em dez anos, um caso sequer de cura nas experimentações em animais, o que impossibilitou até hoje a aplicação do método em seres humanos. Na verdade, a utilização de células embrionárias só gerou, até hoje, teratomas, ou seja, tumores.
Por outro lado, a pesquisa com células tronco adultas, tiradas de partes do corpo humano já desenvolvido, tem sido aplicada com sucesso e já beneficiou mais de vinte mil casos de pessoas com doenças degenerativas. As pesquisas nos Estados Unidos e no Japão já estão tão avançadas, que apresentam a possibilidade de modificar células adultas de forma tal que tenham comportamento das células embrionárias, o que não fere, de nenhuma forma, a ética.
Daí, uma pergunta é inevitável aos brasileiros: por que então matar embriões, se a pesquisa com células adultas é eficiente e promissora? Ao lado de cadeirantes que deram depoimentos favoráveis à pesquisa com células embrionárias, havia e há um número não inferior de cadeirantes que dão depoimento contrário, confiantes nos dados científicos sobre células adultas, e prontos a dizer ‘não’, até mesmo se as embrionárias fossem resposta, pois, em consciência, não desejam a morte de seres humanos para seus benefícios particulares. Mas estes últimos cadeirantes não foram mostrados pela mídia e nem lhes foi dada a palavra, o que põe em risco os direito democráticos.
A decisão do STF tem conseqüências muito mais desastrosas que apenas a decepção de certa classe de cadeirantes, uma vez que os senhores que votaram a favor da destruição de embriões nunca poderão oferecer-lhes, como prometido, a cura. Abre-se um precedente em relação ao direito do nascituro, deixando de considerar o embrião como ser humano, tratando-o como ‘coisa’. É a ciência que está em jogo. Ela demonstra em todos os seus livros respeitáveis do ponto de vista médico que a vida humana começa na fecundação. Portanto, a partir do referido momento, o ser humano existe e tudo o que ele será já está definido naquelas células iniciais. Daí para frente, não há nenhum momento em que se poderia dizer: até aqui não há vida humana, daqui para frente se torna vida humana. Uma tal reflexão geraria as mais acirradas disputas entre opiniões divergentes e ninguém, em sã consciência, pode negar que a formação de todos os órgãos – cérebro, nervos, coração, pulmões etc – já está inteiramente definida no momento da fecundação.
Em Nota que a CNBB fez tão logo se publicou a desastrosa decisão dos seis ministros do STF, diz : “Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado este direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.”
O fato de ter sido uma votação tão polêmica e ter havido resultado tão insignificante do ponto de vista democrático, com somente um voto de diferença, denuncia a gravidade da medida e põe o Brasil, aqui sim, em estado de atraso na evolução das questões éticas de nosso tempo. O futuro o mostrará. Quem viver verá.
Dom Gil Antônio Moreira
Bispo de Jundiaí-SP-Brasil
Após a aprovação do STF, por diferença de apenas um voto, fica a pergunta: as células embrionárias são mesmo milagrosas como dizem?
Responde a ciência. O Dr.Thompson, iniciador de tais experimentações nos Estados Unidos, já abandonou, faz tempo, tais pesquisas, porque não vê nelas nenhum futuro. Os países europeus que já aprovaram a pesquisa, alguns tendo o hipócrita cuidado de não destruir embriões de seus cidadãos, mas comprando embriões estrangeiros, não apresentaram, em dez anos, um caso sequer de cura nas experimentações em animais, o que impossibilitou até hoje a aplicação do método em seres humanos. Na verdade, a utilização de células embrionárias só gerou, até hoje, teratomas, ou seja, tumores.
Por outro lado, a pesquisa com células tronco adultas, tiradas de partes do corpo humano já desenvolvido, tem sido aplicada com sucesso e já beneficiou mais de vinte mil casos de pessoas com doenças degenerativas. As pesquisas nos Estados Unidos e no Japão já estão tão avançadas, que apresentam a possibilidade de modificar células adultas de forma tal que tenham comportamento das células embrionárias, o que não fere, de nenhuma forma, a ética.
Daí, uma pergunta é inevitável aos brasileiros: por que então matar embriões, se a pesquisa com células adultas é eficiente e promissora? Ao lado de cadeirantes que deram depoimentos favoráveis à pesquisa com células embrionárias, havia e há um número não inferior de cadeirantes que dão depoimento contrário, confiantes nos dados científicos sobre células adultas, e prontos a dizer ‘não’, até mesmo se as embrionárias fossem resposta, pois, em consciência, não desejam a morte de seres humanos para seus benefícios particulares. Mas estes últimos cadeirantes não foram mostrados pela mídia e nem lhes foi dada a palavra, o que põe em risco os direito democráticos.
A decisão do STF tem conseqüências muito mais desastrosas que apenas a decepção de certa classe de cadeirantes, uma vez que os senhores que votaram a favor da destruição de embriões nunca poderão oferecer-lhes, como prometido, a cura. Abre-se um precedente em relação ao direito do nascituro, deixando de considerar o embrião como ser humano, tratando-o como ‘coisa’. É a ciência que está em jogo. Ela demonstra em todos os seus livros respeitáveis do ponto de vista médico que a vida humana começa na fecundação. Portanto, a partir do referido momento, o ser humano existe e tudo o que ele será já está definido naquelas células iniciais. Daí para frente, não há nenhum momento em que se poderia dizer: até aqui não há vida humana, daqui para frente se torna vida humana. Uma tal reflexão geraria as mais acirradas disputas entre opiniões divergentes e ninguém, em sã consciência, pode negar que a formação de todos os órgãos – cérebro, nervos, coração, pulmões etc – já está inteiramente definida no momento da fecundação.
Em Nota que a CNBB fez tão logo se publicou a desastrosa decisão dos seis ministros do STF, diz : “Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado este direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.”
O fato de ter sido uma votação tão polêmica e ter havido resultado tão insignificante do ponto de vista democrático, com somente um voto de diferença, denuncia a gravidade da medida e põe o Brasil, aqui sim, em estado de atraso na evolução das questões éticas de nosso tempo. O futuro o mostrará. Quem viver verá.
Dom Gil Antônio Moreira
Bispo de Jundiaí-SP-Brasil
quinta-feira, 5 de junho de 2008
ANIVERSÁRIO
terça-feira, 3 de junho de 2008
FORUM DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL
Será nesta quinta feira, as 18h00 no auditório do palácio do comercio, o lançamento oficial do FORUM DE MOBILIDADE SOCIAL.
Por iniciativa da OAB e CNBB, o Forum tem como finalidade unir as instituições e pessoas de boa vontade no combate a banalização da violência e defesa da vida.
Por iniciativa da OAB e CNBB, o Forum tem como finalidade unir as instituições e pessoas de boa vontade no combate a banalização da violência e defesa da vida.
PASTORAL DA CRIANÇA REALIZA ENCONTRO
A pastora da Criança da diocese, promoveu neste final de semana, no centro de treinamento anajás, encontro com as capacitadoras das líderes paroquiais da pastoral da criança. Das 26 paróquias a pastoral está presente em 24 delas. O objetivo é fazer acontecer esta pastoral em todas as paróquias da diocese.
domingo, 1 de junho de 2008
FESTA DA COLHEIRA
sexta-feira, 30 de maio de 2008
ENCERRAMENTO MARIANO
JÁ É NESTE SÁBADO, DIA 31, NA QUADRA DA TV ANAJÁS, O ENCERRAMENTO DO MÊS MARIANO.
19h00 - Missa de encerramento presidida pelo nosso bispo Dom Gilberto
21h00 - Show com a Ir. Kelly Patrícia.
Estaremos aguardando você e sua família.
19h00 - Missa de encerramento presidida pelo nosso bispo Dom Gilberto
21h00 - Show com a Ir. Kelly Patrícia.
Estaremos aguardando você e sua família.
A NOVA INICIATIVA POPULAR DO MCCE
Projeto de lei sobre a vida pregressa dos candidatos
O MCCE deu início à coleta de assinaturas para um novo projeto de lei de iniciativa
popular em maio de 2008. A idéia é aprofundar as conquistas iniciadas com a aprovação da Lei
9840. Desta vez precisaremos do apoio de quase um milhão e trezentos mil brasileiros e
brasileiras para aumentar o rigor da lei em favor de eleições cada vez mais limpas.
O objetivo é tirar da lei alguns “defeitos”, os quais certamente favorecem a impunidade. E
um dos pontos ressaltados no projeto é que o abuso de poder tem que ser julgado pelo fato de
ter sido cometido, e não pela sua influência no resultado eleitoral.
Do que trata a nova iniciativa popular
O novo projeto de lei pretende alterar a Lei de Inelegibilidades – aquela que proíbe
candidaturas a cargos eletivos – promovendo os seguintes aprimoramentos:
a) aumenta o rol de situações que podem impedir o registro de uma candidatura;
b) estende os prazos para as inelegibilidades que passam a ter, em regra, duração de oito anos;
c) torna mais rápidos os processos judiciais que tratam das inelegibilidades.
candidaturas a cargos eletivos – promovendo os seguintes aprimoramentos:
a) aumenta o rol de situações que podem impedir o registro de uma candidatura;
b) estende os prazos para as inelegibilidades que passam a ter, em regra, duração de oito anos;
c) torna mais rápidos os processos judiciais que tratam das inelegibilidades.
Novos casos de inelegibilidade
O novo projeto de lei prevê que se tornem inelegíveis pessoas que se encontrem, dentre
outras, nas seguintes situações:
– As que foram condenadas ou tiveram denúncia recebida por um tribunal em virtude de
fatos graves, tais como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de
verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições até
que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal. Não se trata de considerá-las
antecipadamente culpadas, mas de adotar uma postura preventiva, em defesa da
sociedade.
– As que renunciaram ao cargo para evitar a abertura de processo por quebra do decoro
parlamentar ou por desrespeito à Constituição;
– As que foram condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da
máquina administrativa.
Como correrão os processos
O projeto simplifica o processo da ação de investigação judicial, utilizada para reprimir o
abuso de poder nas eleições. Assim, deixa de ser necessário que não caiba mais recursos para
que a decisão possa ser executada.
As decisões da Justiça Eleitoral serão executadas imediatamente, como hoje já ocorre
com a Lei 9840. Além disso, o juiz de primeira instância sempre poderá levar a ação até o
julgamento final, o que, atualmente, é impedido por um dispositivo que ainda existe na lei.
Como participar dessa iniciativa
Você pode encontrar os formulários do projeto de lei de iniciativa popular no site
www.lei9840.org.br e também conhecer o conteúdo integral do projeto. Se preferir, pode encontrar os formulários na secretaria de sua paróquia ou no secretariado diocesano de pastoral na praça de fátima, 120.
Coleta de assinaturas
Para multiplicar a atividade de coleta, procure as lideranças da sociedade civil em seu
município: padres, pastores, líderes sindicais, associativos e comunitários, membros de grupos
de jovens e de clubes de mães, diretores de escola etc. São pessoas que mantém contato com
muitas outras e que, por isso, podem alavancar o processo. O uso de carros de som para
mobilizar a comunidade e a presença em locais de grande concentração popular, como feiras,
parques, praças, estação rodoviária e de metrô e outros locais públicos pode ajudar bastante.
Sempre que possível, avise sobre a atividade de coleta antes de ir ao local onde será
realizada, pois é preciso que os assinantes incluam o número do título de eleitor no abaixoassinado e nem todas as pessoas levam esse documento sempre consigo.
A coleta de assinaturas tem também como objetivo debater o tema com a sociedade. Por
isso, você pode organizar reuniões e encontros para conversar sobre o projeto de lei e sobre a
importância da participação popular para o fortalecimento da democracia.
Questões para debate em grupo
- O que você pode fazer para melhorar a política na sua comunidade?
- Você considera desvio de verba pública um crime grave?
- Deve haver espaço na política para candidatos com condenações por crimes ou por
desvio de verbas?
- Como podemos fiscalizar as eleições?
O sucesso desta iniciativa depende da nossa capacidade de alcançar um número
expressivo de assinaturas, como foi o caso da Lei 9840!
Participe também deste momento decisivo da nossa história!
NOTA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL SOBRE A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a validade constitucional do artigo 5o e seus parágrafos da Lei de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas e terapêuticas, os embriões criados a partir da fecundação in vitro e que estão congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização.
A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra.
Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional.
Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.
No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas.
Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas.
Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral.
A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.
Brasília, 29 de maio de 2008.
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra.
Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional.
Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.
No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas.
Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas.
Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral.
A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.
Brasília, 29 de maio de 2008.
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
sábado, 17 de maio de 2008
Diácono Reinaldo será ordenado hoje.
Será logo mais, as 18h00, na Catedral de Fátima a ordenação presbiteral do diácono Reinaldo.
Atualmente trabalhando na Paróquia Maria, Mãe da Igreja, em Goverdandor Edson Lobão, juntamente com o Pe. Edimar, o novo presbítero deverá continuar, ao menos até o mês de julho, suas atividades pastorais.
Agradeçamos a Deus, por ter escutado nossas orações e nos ter enviado mais um sacerdote para a evangelizar a sua messe.
Atualmente trabalhando na Paróquia Maria, Mãe da Igreja, em Goverdandor Edson Lobão, juntamente com o Pe. Edimar, o novo presbítero deverá continuar, ao menos até o mês de julho, suas atividades pastorais.
Agradeçamos a Deus, por ter escutado nossas orações e nos ter enviado mais um sacerdote para a evangelizar a sua messe.
Marina rebate Lula e vê risco de retrocesso na Amazônia
Ex-ministra afirma que se considera isenta e que poderia ter coordenado o PAS - Petista, que negou que fará oposição ao governo na volta ao Senado, disse que seu sucessor é "qualificado" para vaga no Meio Ambiente MARTA SALOMONDA SUCURSAL DE BRASÍLIA Com a exoneração publicada no "Diário Oficial" da União e ainda sem ter conversado com o presidente Lula sobre a decisão de deixar o Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva (PT-AC) apontou ontem o risco de retrocesso no combate ao desmatamento na Amazônia, cujo ritmo voltou a crescer."É melhor ter o filho vivo em colo de outro do que vê-lo jazendo em seu próprio colo", afirmou a ex-ministra, numa referência ao título de "mãe do PAS" (Plano Amazônia Sustentável) dado a ela por Lula na semana passada. "Não podemos aceitar nenhum tipo de retrocesso", insistiu a petista na primeira entrevista desde que se demitiu, na terça-feira. Marina assumirá sua vaga no Senado.Ao longo de quase duas horas de entrevista, a senadora apontou pressões contra a política de desenvolvimento sustentável da Amazônia. Os principais alvos dessas pressões seriam: 1) a exigência de licença ambiental na concessão de crédito a partir de julho; 2) a criação de novas áreas de conservação ambiental; e 3) a restrição de que os proprietários de terras na Amazônia não desmatem mais do que 20% de suas áreas.Marina, 50, evitou prognósticos sobre a gestão de seu sucessor na pasta. Disse que Carlos Minc é um ambientalista "qualificado" para a tarefa, mas afirmou desconhecer em que termos o ex-secretário do Ambiente do Rio aceitou, por telefone, o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Conheci o Minc quando ele ainda tinha cabelo. E corre o risco de perder mais", disse a ex-ministra sobre as dificuldades que o sucessor deve encontrar no comando do Meio Ambiente. Os obstáculos, segundo a petista, não decorrem do fato de Minc ter declarado desconhecer a Amazônia: "Eu não faria essa simplificação, nenhum ministro é capaz de conhecer questões de A a Z".Marina adiantou que não voltará ao Senado como voz de oposição ao governo. Da tribuna, disse que fará a defesa do desenvolvimento e da preservação da Amazônia, ajudará o "colega" Minc e "meu presidente Lula, que ajudei a eleger". E completou: "Rogo a Deus para ele [Minc] fazer mais e melhor do que eu".PressõesMarina Silva apontou a origem de pressões para rever medidas de combate ao desmatamento, que voltou a crescer no segundo semestre do ano passado. Segundo ela, "há um tensionamento muito forte" vindo de Mato Grosso e de Rondônia, especificamente os governadores Blairo Maggi (PR-MT) e Ivo Cassol (sem partido-RO).Maggi contesta dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que apontam o aumento do desmatamento -sem definição exata da área- com base em imagens de satélites. "Para que serve um sistema de alerta? O que poderemos fazer quando o aumento do desmatamento tiver se consumado?", reagiu.Mais de uma vez durante a entrevista coletiva, ela defendeu que o governo resista às pressões para mudar resolução aprovada em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional com restrição ao crédito a propriedades que não tenham licença ambiental.Outra fonte de pressão, segundo a ex-ministra, está atrasando a criação de novas áreas de conservação ambiental. Na quinta passada, a Casa Civil bloqueou a criação da reserva extrativista do Xingu, no Pará. Marina alega que, nos primeiros quatro anos de governo Lula, 20 milhões de áreas de conservação foram criadas, contra apenas 3 milhões no segundo mandato: "É só fazer a média e ver que o ritmo caiu".Decisão dolorosaDois dias depois de oficializar a saída do governo, Marina afirmou ontem que essa foi "uma decisão difícil, um processo doloroso".A ex-ministra disse que respeita a decisão de Lula de entregar ao ministro Mangabeira Unger a coordenação do Plano Amazônia Sustentável, mas contestou a avaliação, feita pelo presidente, de que não teria isenção para assumir a tarefa. "Ser isento é ter um ponto de vista e ser capaz de mediar levando em conta o ponto de vista do outro. Me considero uma pessoa isenta", disse.LulaMarina contou que não havia conversado com o presidente desde que comunicou a decisão de deixar o governo por meio de carta, levada ao Palácio do Planalto por um portador. "O contato [com o presidente Lula] até agora ficou na carta, a carta diz tudo."A petista comentou também a avaliação do Planalto de que transformou a sua demissão em espetáculo. "Não foi em hipótese alguma [um ato de rebeldia], foi de uma forma muito respeitosa", respondeu.PlanosA ex-ministra do Meio Ambiente não pensa em sair do PT, afirmou. Pelo partido ao qual se filiou em 1985, pretende disputar, em 2010, novo mandato no Senado. "Saio do governo para ir para a tribuna do Senado, lutar a favor do desenvolvimento sustentado", disse.Antes de retomar o mandato como representante do Acre, os planos de Marina se resumem a aproveitar o feriado para terminar trabalhos do curso de psicopedagogia que freqüenta na UnB (Universidade de Brasília). "Sou uma professora de história, alfabetizada aos 16 anos de idade e disso não me esqueço", completou.
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