Maranhão, segundo maior índice de
violência no campo entre os Estados brasileiros
Foto:
Agência Brasil
Sessenta famílias de duas comunidades
rurais no estado do Maranhão ficaram desabrigadas e sem terra após serem
despejadas pela polícia. A comunidade Campo do Bandeira foi ameaçada e
intimidada por homens armados que rondam a área. Quatro lideranças foram juradas
de morte.
No dia 13 de
novembro, 45 famílias da comunidade Campo do Bandeira e 15 famílias da
comunidade Arame foram despejadas e deixadas desabrigadas e sem terra depois do
cumprimento de medida liminar de Reintegração de Posse. As autoridades do estado
do Maranhão não deram notificação adequada às famílias, que tiveram que deixar
suas casas e terras apesar de apelação pendente das comunidades e do Instituto
de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA) contra a ordem de despejo. Outras
salvaguardas, incluindo oportunidades de consulta genuínas com as pessoas
afetadas, também não foram postas em prática antes dos despejos. As famílias não
tinham para onde ir e ficaram abrigadas na sede municipal da União dos
Trabalhadores Rurais de Alto Alegre.
A terra ocupada
pelas duas comunidades tem sido alvo de uma disputa de propriedade entre o
estado do Maranhão e uma entidade privada. Ao mesmo tempo, o ITERMA está
engajado em um processo de titulação das terras que envolve o assentamento
reivindicado pelas comunidades que ocupam o local. O processo foi concluído para
a comunidade do Arame e está próximo do fim para Campo do Bandeira. Em 14 de
outubro, a comunidade de Campo do Bandeira sofreu outro ataque quando cinco
homens incendiaram parte das casas e das plantações. Apesar das sucessivas
denúncias, a polícia não conduziu as devidas investigações sobre as ameaças e
ataques à comunidade de Campo do Bandeira e as autoridades não providenciaram
nenhum tipo de proteção para garantir segurança aos moradores.
De acordo com
informações recebidas, quatro líderes comunitários, José Santana, Nena Rodrigues
do Nascimento, João Rosa de Souza Filho e Antonio Gaspar Ribeiro, têm recebido
ameaças diretas de morte, feitas por homens armados não-identificados que atuam
na região.
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