Luis Hernandes Matos Leite
Tantas vezes paramos para refletir sobre o problema da pobreza, fazemos campanhas para arrecadar alimentos e roupas.Contudo na maioria das vezes nos falta o principal que é o amor. Fazemos obras de caridade para aliviar a nossa consciência, e esquecemos de proporcionar aos pobres e pequenos o mínimo de dignidade humana. Hoje posso dizer como Santa Maria Madalena “eu vi o Senhor” (Cf. Jo 20,18). Sim, vi o Cristo que sofre e padece no rosto de cada marginalizado, esquecido e abandonado.
Um dia resolvi andar com as irmãs da Fraternidade Missionária O Caminho, fomos ao encontro dos pobres. Eles são pessoas como nós, mas para os santos são o próprio Jesus, vi pessoas que precisavam cheirar cola para não sentir fome e me lembrei do grande desperdício que há nas casas dos cristãos. Entregamos um pão e um copo de suco para aliviar em curto prazo as dores do corpo, e quantos deles só tiveram isto como refeição durante todo o dia. As irmãs e alguns voluntários fizeram a barba de alguns irmãos de rua, cortaram seus cabelos, as unhas e proporcionaram um sorriso em seus rostos.
Este trabalho não é simplesmente um trabalho social, é antes de tudo trabalho cristão.Ao conversarmos com os irmãos de rua víamos que estavam satisfeitos com nossa presença e não pela comida, mas por se sentirem importantes. Sim eles são importantes para nós, pois como disse o padre Roberto da Toca de Assis “Os poderosos podem me dar riquezas, mas os pobres podem me dar o céu”.
Naquele dia as palavras de Jesus ecoaram dentro de mim “tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim”.(Mt 25, 35-36). Logo, nós só podemos estar sofrendo de amnésia aguda para não lembrar de que quando fazemos isto a quem quer que seja, estamos fazendo a Deus. (Cf. Mt 25,40).
Estes pobres estavam bem próximos de mim o tempo todo. Estavam no calçadão, na praça de Fátima, na rodoviária, nas portas das Igrejas.Porém acontecia comigo o que dizia a canção “Seu nome é Jesus Cristo e passa fome/ E grita pela boca dos famintos. / E a gente quando vê passa adiante... Seu nome é Jesus Cristo e está sem casa/ e dorme pelas beiras das calçadas/ e a gente quando vê aperta o passo/ e diz que ele dormiu embriagado... Entre nós está, / e não o conhecemos/ entre nós está, / e nós o desprezamos”.
Na noite de 24 de novembro de 2005, que antecedeu minha crisma, estava em uma vigília na Catedral Nossa Senhora de Fátima e lá ouvi da irmã Maria do Carmo, map. que se eu quisesse encontrar Jesus que eu abraçasse o primeiro mendigo que visse.Nunca tinha entendido estas palavras, hoje eu entendo por que eu vi o Cristo Jesus e a mim Ele estendeu a mão.
A Igreja católica desempenha os mais variados trabalhos para socorrer Jesus faminto, Jesus mendigo, Jesus analfabeto, Jesus trabalhador rural etc. Está na hora de sairmos do nosso comodismo e agirmos, talvez não consigamos mudar o planeta, mas pelo menos mudaremos a nós mesmos e faremos o mundo de alguém, um lugar melhor.
Não perca tempo parado. Faça parte de uma pastoral seja ela a social, ou da mulher, ou da criança etc. colabore com algum movimento ou congregação religiosa. Seja você professor, dona de casa, médico, advogado, estudante; alguma coisa você pode fazer. Exemplos de amor aos pobres não nos faltam, São Francisco de Assis, Santa Clara, São Luís de Montfort, Bem-Aventuradas Tereza de Calcutá e Maria Luísa Trichet; que bom seria se você e eu também fossemos mais um destes exemplos.
Não podemos nos calar em meio a um mundo injusto, os cristãos católicos devem trabalhar para a construção de um mundo fraterno, afinal de contas acreditamos no que disse Jesus “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” (Mt 5,6).
Nenhum comentário:
Postar um comentário