sexta-feira, 11 de abril de 2008

ELEIÇÕES 2008

Nós, Bispos da Igreja Católica no Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB, de 02 a 11 de abril de 2008, em Itaici, Indaiatuba, SP, queremos contribuir, como em pleitos anteriores, com as eleições de 05 de outubro, quando escolheremos o prefeito/a e os vereadores/as dos nossos municípios.
Os cidadãos e as comunidades eclesiais têm aí um amplo campo de atuação. A tradição da Doutrina Social da Igreja considera a participação na política uma forma elevada do exercício da caridade - uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço do próximo.
A afirmação do Poder local ganha espaço específico no mundo globalizado. Urge criar, no âmbito municipal, estruturas que consolidem uma autêntica convivência humana, promovendo os cidadãos como reais sujeitos políticos. No município, a política pode atender às necessidades concretas da população: saúde, educação, segurança, transporte, moradia, saneamento básico e outras. O Poder local tem sido ainda mais valorizado através das Redes Intermunicipais pelo intercâmbio de experiências – sinais de esperança no mundo planetário.
O voto depositado na urna exige dos eleitores/as e dos eleitos/as um compromisso com a consolidação da democracia. Os eleitos/as são chamados a concretizar a mística do serviço, na esperança e na perseverança, construindo um mandato coletivo, em busca do bem comum, com a garantia de continuar os projetos positivos da administração anterior. Os eleitores/as são convidados a acompanhar os eleitos/as no cumprimento de sua missão e a valorizar os que atuam com critérios éticos.
A cultura da corrupção perpassa as malhas da nossa história política. A corrupção pessoal e estrutural convive com o atual sistema político brasileiro e vem associada à estrutura econômica que acentua e legitima as desigualdades. É relevante e urgente aplicar com empenho a Lei 9.840, em decorrência da qual já foram cassadas em torno de 600 pessoas. Esta lei ajuda a assegurar a lisura das eleições na campanha eleitoral. Para tanto, queremos valorizar os Comitês contra a corrupção eleitoral. Também apoiamos o Projeto de Lei de iniciativa popular, complemento à Lei 9.840, proibindo candidatura de quem já foi condenado em primeira instância.
A formação política para o cumprimento da missão de prefeito/a e vereador/a exige que a ética seja o farol que oriente os quatro anos de mandato, num contínuo diálogo entre o Poder local e suas comunidades. Estamos todos em processo de contínua educação para a cidadania e o exercício do voto é um dos instrumentos eficazes para as mudanças necessárias para o País.
A Igreja tem como tarefa iluminar as consciências dos cidadãos, despertando as forças espirituais e promovendo os valores sociais, através da pregação e do testemunho. A encíclica Deus Caritas est, retomada no Documento de Aparecida, exorta os cristãos leigos/as a assumir compromisso na política, também partidária. Não corresponde aos Pastores esta tarefa.
Convidamos nossas comunidades a realizar debates e reflexões sobre os programas dos partidos, além das qualidades dos candidatos.
Propomos critérios para a votação: respeito ao pluralismo cultural e religioso; comportamento ético dos candidatos/as; e defesa da vida, da família e da liberdade de iniciativa no campo da educação, da saúde e da ação social, em parceria com as organizações comunitárias. Consideramos qualidades imprescindíveis para os candidatos/as: honestidade, competência, transparência, vontade de servir ao bem comum, comprovada por seu histórico de vida. Para tanto, reafirmamos o Documento de Aparecida ao “apoiar a participação da sociedade civil para reorientação e conseqüente reabilitação ética da política” (n. 406).
Que o Espírito de Deus nos acompanhe na tarefa de ajudar a tornar mais humanos e justos os nossos municípios!

Itaici, Indaiatuba-SP, 9 de abril de 2008



Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB


Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB


Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

NOTA EM DEFESA DA VIDA HUMANA

Nós, Bispos do Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral, fiéis à nossa missão evangelizadora e aos compromissos assumidos na Campanha da Fraternidade de 2008, com o tema “Fraternidade e Defesa da Vida” e o lema “Escolhe, pois, a Vida” (Dt 30,19), reafirmamos nosso empenho pela valorização, defesa e promoção da vida humana.
A vida humana é sagrada. O direito à vida fundamenta quaisquer outros direitos. Desde a fecundação até seu declínio natural, a vida é fruto da ação criadora de Deus, “Senhor e Amigo da Vida” (Sb 11,26), e permanece sempre em relação com Ele, seu único fim. Cabe ao ser humano a responsabilidade de acolher e fazer frutificar este inestimável dom divino.
O Magistério da Igreja defende o direito à vida, bem primário fundamental em qualquer fase de desenvolvimento ou condição em que se encontra. A vida humana não pode ser instrumentalizada, violada ou destruída, devendo, pois, ser defendida sempre que ameaçada ou fragilizada.
Convidamos todos a se unirem a nós na defesa da vida, repudiando as tentativas de legalização do aborto em nosso País. Tal ato é moralmente inadmissível, pois faz muitas vítimas: a criança suprimida, a mãe isolada nos seus sentimentos de culpa e psicologicamente enferma, o pai que aprovou ou não se opôs e demais familiares. As mães que não consentem na prática do aborto, lutam e sofrem para gerar seus filhos, merecem nosso apoio e valorização. As mães que passaram pela triste experiência do aborto consentido, uma vez arrependidas, contem com a misericórdia divina que supera toda fraqueza humana (cf. Documento de Aparecida, 469g).
A ciência e a técnica têm contribuído para o desenvolvimento no âmbito da saúde e para o prolongamento da vida humana. Porém, “aquilo que é tecnicamente possível não é necessariamente, por esta mera razão, admissível do ponto de vista moral” (Donum vitae, Introdução, 4). A busca de qualidade de vida através das pesquisas científicas deve ser coerente com os princípios da inviolabilidade da vida humana, da lei natural e do mandamento “não matarás” (Ex 20,13), que devem ser respeitados sempre.
Reconhecemos, com gratidão, as pesquisas feitas em favor da vida, de modo particular, no que diz respeito às células-tronco adultas em vista à sua aplicação terapêutica. Lembramos que os princípios éticos devem sempre orientar os estudiosos e os cientistas para que a vida humana seja respeitada na sua integridade, desde a sua concepção até seu declínio natural.
Na célula inicial há tudo o que a natureza predispõe para o desenvolvimento da nova vida. O embrião humano deve ser respeitado e tratado como um ser humano desde a sua fecundação e, por isso, desde esse mesmo momento, deve-lhe ser reconhecido o direto inviolável de cada ser humano à vida (cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, 60). Essa afirmação encontra apoio e plena correspondência nos direitos essenciais dos próprios indivíduos, reconhecidos e tutelados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem que, em seu artigo 3º, reconhece que “todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.
O uso de embriões humanos e a sua destruição para a pesquisa científica, bem como a sua crioconservação, violam o mais fundamental de todos os direitos, o direito à vida e a indissociável dignidade da pessoa humana, expressos nos artigos 1º, III e 5º, caput, da Constituição Federal. O artigo 4º do Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos), ratificado pelo Brasil em 25.09.1992, também estabelece que “toda pessoa tem o direito a que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”.
Aguardamos o resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal que votará a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), de número 3.510. Esperamos que a vida humana seja defendida incondicionalmente.
Agradecemos o trabalho de muitos cientistas e pesquisadores da área biomédica e de juristas que defendem a vida a partir de princípios éticos. Agradecemos também a dedicação de agentes da saúde, de parteiras, de socorristas, das Frentes Parlamentares em favor da vida, das associações Pró-Vida, das pastorais e movimentos, de catequistas e lideranças da Igreja e de todas as pessoas de boa vontade que defendem a vida com o testemunho de fé e cidadania.
Conclamamos todos, especialmente os fiéis de nossas Dioceses e Paróquias, à realização de gestos concretos em favor da vida, tais como: centros de acolhida da mãe gestante, a prática da adoção, a doação de sangue e de órgãos para transplantes, a difusão dos “10 Mandamentos do Motorista”, a constituição de Comissões Diocesanas de Bioética, a Semana Nacional da Vida e a celebração anual do Dia do Nascituro, em 8 de outubro.
Jesus Cristo, fonte da Vida, pela intercessão de sua Mãe, venerada com o título de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, abençoe o povo brasileiro e proteja a todos no compromisso pela promoção e defesa da vida.




Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB


Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB


Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

NOTA DE SOLIDARIEDADE

Nós Bispos, juntamente com os Organismos, assessores e colaboradores da Igreja no Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Itaici, Indaiatuba (SP), vimos nos solidarizar com os Bispos que, atualmente, por causa do Evangelho, sofrem perseguição e até ameaças de morte: Dom Erwin Krautler, da Prelazia do Xingu, Dom José Luiz Azcona Hermoso, da Prelazia do Marajó, e Dom Flávio Giovenale Diocese de Abaetetuba. Qualquer agressão a eles atinge a todos nós, seus irmãos no ministério episcopal, e ao povo a quem servem com destemido zelo e corajosa profecia. (cf. Jr 18,18-23).
Em Cristo somos um só com eles e com as pessoas que eles defendem: os povos indígenas; as mulheres, crianças e adolescentes que o tráfico de seres humanos instrumentaliza, que a exploração sexual vende e as drogas matam. Apoiamos também seu empenho na defesa do meio ambiente que a ganância devasta com nefastas conseqüências para a vida humana. Suas lutas são, portanto, as nossas lutas, seus sofrimentos são os nossos sofrimentos. O martírio deles seria “crucificar novamente o Filho de Deus” (Hb 6,6). Seria injusta qualquer agressão a estes agentes. Sabemos também porque são perseguidos: “O servo não é maior que seu senhor. Se me perseguiram, vos perseguirão”. (Jo 15,20)
Somos solidários igualmente às demais lideranças: Bispos, padres, pessoas consagradas, leigos que trabalham pelos mesmos ideais de vida e de justiça em todo o Brasil onde os direitos humanos são constantemente aviltados e, por isso também sofrem ameaças. Com eles, acreditamos que “o fruto da justiça será a paz e a prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras” (Is 32, 17). Com eles rezamos: “liberta-me, Senhor! Defende-me pela tua justiça. Atende-me e salva-me!” (Sl 71, 2).
Orgulhamo-nos desses irmãos e irmãs! A perseguição de que são vítimas, por um lado, comprova a autêntica ação evangélica da Igreja no Brasil. Por outro lado, expõe também a perversidade que se introduziu em nossa sociedade cuja história é vergonhosamente manchada de sangue de inocentes que tombaram por causa de seu trabalho na defesa dos injustiçados, oprimidos e excluídos. Diante disso, manifestamos nossa indignação!
Conclamamos todos os cristãos e todas as pessoas que lutam pela justiça e pela paz a não se acomodarem, e não deixar a consciência adormecer: “A verdade e a justiça estão acima da minha comodidade e saúde física – pois, se o meu bem-estar é mais importante do que a verdade e a justiça, vigoram a lei do mais forte, a violência e a mentira”. (cf. Bento XVI, Spe Salvi, 38). Todos somos responsáveis pela construção de um país justo em que as leis sejam respeitadas e garantido o direito de todos a uma vida digna. A justiça e não a violência é que constrói a paz.
Exigimos das autoridades competentes investigações sérias e proteção para os ameaçados. Sua vida é preciosa para o povo que defendem e para nós que lhes somos solidários. Basta de violência!
Que Cristo, o vencedor de todas as formas de morte, nos faça dignos d’Ele!


Itaici, Indaiatuba-SP, 10 de abril de 2008




Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB



Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

segunda-feira, 7 de abril de 2008

CNBB homenageia dom Aloísio Lorscheidersegunda: 07 de abril de 2008

Em sessão especial hoje à noite, às 20:30h, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) presta uma homenagem ao cardeal Aloísio Lorscheider, falecido em 23 de dezembro do ano passado. Dom Aloísio foi secretário da CNBB (1968-1971) e seu presidente por dois mandatos (1971-1978). A homenagem ocorre durante a assembléia dos bispos que começou na quarta-feira 2, em Indaiatuba, interior de São Paulo.
Às 7h, os bispos rezam a missa presidida pelo bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ), dom João Maria Messi. Às 8:45h, retomam os trabalhos de estudo e discussão da novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Outros temas estão na pauta de hoje e serão comunicados na primeira sessão. Às 14:30h, haverá a coletiva de imprensa.

Dom Erwin recebe solidariedade da CNBBdomingo: 06 de abril de 2008

Uma longa salva de palmas, com os bispos todos de pé, retumbou na igreja de Itaici, no final da missa que encerrou o retiro dos bispos, quando o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, agradeceu ao pregador dom Erwin Kräutler e lhe manifestou solidariedade pelas ameaças que tem sofrido. “Diante das ameaças de morte que você vem enfrentando, expressamos nossa indignação e lhe manifestamos nossa mais profunda solidariedade na fé”, disse o presidente.
Dom Geraldo Lyrio incentivou o povo do Xingu a continuar firme “ na fé e unido ao pastor que Deus lhe deu” e pediu o fim da violência na região. “Às autoridades pedimos que não se omitam diante da gravidade das ameaças a dom Erwin. Aos que o ameaçam exortamos: não manchem as mãos com o sangue. Basta de violência!”, disse.
O índio Pedro Luiz, dos povos Guarani, veio especialmente para agradecer e prestar solidariedade a dom Erwin. “Venho falar da solidariedade com o bispo dom Erwin que luta pela organização dos indígenas pelos seus direitos”, disse em português, depois de uma saudação na sua língua. Ao final, entregou ao bispo um chocalho e colocou em seu pescoço um colar. Dom Erwin agradeceu na língua kayapó.
Nesta última semana da Assembléia, os bispos divulgarão uma Declaração de apoio a dom Erwin e aos outros bispos que têm sofrido ameaça. No altar, concelebrando com dom Erwin estavam os bispos da Presidência da CNBB, os bispos presidentes dos Regionais da CNBB e o Núncio Apostólico.
A homilia
Encerrando o retiro que orientou para os bispos, na missa que presidiu, dom Erwin, durante a homilia, explicou o evangelho proclamado chamando a atenção para a fé do discípulo. “O convite ‘fica conosco’, sussurrado pelos dois discípulos de Emaús, avolumou-se através dos séculos e tornou-se clamor de milhões de seres humanos que perderam a esperança e o sentido da vida”, refletiu o bispo.
“O pedido ‘fica conosco’ brota do coração de legiões de mulheres e homens, crianças e idosos, excluídos do banquete da vida, sem eira nem beira, supérfluos e descartáveis, porque não se enquadram no sistema neoliberal com sua lógica de custo-benefício. Quem não produz não tem direito de viver”, denunciou.
Segundo dom Erwin, o mesmo pedido “é uma canção esperançosa de nossa juventude sem perspectivas para o futuro e sem sentido da vida presente, continuamente ameaçada de perder-se nas sarjetas da droga e da delinqüência”.
O bispo termina sua homilia de maneira esperançosa e otimista. “Sejam quais forem nossas fraquezas, misérias, limitações, o que contagia toas as culturas, o que convence todos os povos e raças, é o testemunho da alegria e da graça de termos encontrado o Senhor”.

Assembléia da CNBB debate aquecimento globalsábado: 05 de abril de 2008

Na última sessão de trabalhos deste sábado, 5, os participantes da 46a Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ouviram uma exposição sobre aquecimento global, apresentada pelo professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU, Paulo Artaxo.
O professor defendeu que é preciso mudar o padrão de consumo de bens naturais e de energia para salvar o planeta. “Precisamos mudar as tecnologias dos eletrodomésticos e dos automóveis”, considerou. Ele chamou a atenção para as mudanças que serão provocadas pelo aquecimento global. “O aumento da temperatura provocará alteração de incidência de doença como a malária, por exemplo. Também o planeta vai sofrer perdas na sua biodiversidade”, advertiu. “Várias dessas alterações já estão ocorrendo, mas nossa capacidade de intervir é muito importante”.
Segundo Artaxo, tanto a comunidade científica como a sociedade estão convencidas de que é preciso estancar o uso predatório dos recursos da natureza. “Já é praticamente consenso que estamos exaurindo de maneira predatória os recursos da natureza”, afirmou.
Na opinião do professor é preciso repensar a questão da energia. “O quadro mostra que a produção e consumo de energia terão que ser radicalmente alterados”. Segundo afirmou, o Brasil tem enormes vantagens estratégicas para desenvolver esse trabalho. “É inevitável implantar um processo de energia solar e heólica no Brasil e já existe recurso técnico para isso”, considerou.


Dom Erwin orienta retiro para os bispos em Itaicisábado: 05 de abril de 2008
Começa hoje à tarde o retiro dos bispos que participam da 46a Assembléia Geral da CNBB, em Itaici, Indaiatuba (SP). O encontro, que reúne 300 bispos, teve início no dia 2 e se estende até o dia 11. O retiro será orientado pelo bispo da Prelazia do Xingu, dom Erwin Käutler.
Antes do retiro, pela manhã, os bispos rezam a missa presidida pelo arcebispo de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grechi. Às 8:45h, haverá mais uma votação para escolha dos bispos que participarão do Sínodo dos Bispos em Roma, no mês de outubro. Serão eleitos quatro bispos e dois suplentes. A primeira sessão de trabalhos deste sábado será dedicada ao estudo individual da segunda versão das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja, tema central da Assembléia. A nova versão vem acrescida das emendas apresentadas pelos bispos na quinta-feira, 3.
Na segunda sessão, haverá uma exposição sobre aquecimento global, apresentada pelo presidente da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, dom Pedro Luiz Stringhini. Haverá, ainda, uma comunicação sobre o Fórum da Igreja Católica no Rio Grande do Sul pelo arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Dadeus Grings.

Bispos manifestam apoio aos povos indígenas de Roraimasexta: 04 de abril de 2008

Os bispos do Brasil, reunidos em Assembléia em Itaici, Indaiatuba (SP), publicaram, na manhã desta sexta-feira, 4, uma nota na qual afirmam acompanhar com “apreensão” a Operação Upakaton 3, que o Governo realiza para retirar os não índios da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (TIRSS).
Na denominada “Nota de Esperança”, a CNBB lembra que é necessário “pagar essa divida histórica que temos com os povos indígenas” e manifesta “respeito, solidariedade e apoio” aos indígenas que habitam a Terra Raposa Serra do Sol. Igualmente, os bispos manifestaram apoio à Operação Upakaton 3 e pedem que “processo de desintrusão da TIRSS seja rápido, pacífico e que a lei seja respeitada por todos”
Leia, abaixo, a íntegra da nota
Itaici, Indaiatuba-SP, 4 de abril de 2008
P – Nº 0280/08
NOTA DE ESPERANÇA
Nós, Bispos do Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB em Indaiatuba, SP, estamos acompanhando com muita apreensão as notícias que chegam de Roraima, mais precisamente no que se refere a Operação Upakaton 3, realizada pelo Governo Federal, para a retirada dos não índios que teimam em permanecer com métodos violentos na homologada Terra Indígena Raposa Serra do Sol (TIRSS).
Em nosso País, já temos feito uma caminhada muito significativa no reconhecimento e conquista dos direitos. Precisamos pagar essa dívida histórica que temos com os povos indígenas, os mais sofridos ao longo da nossa história. É hora de vislumbrarmos um novo horizonte, onde a pluralidade dos povos indígenas e seus direitos originários sejam definitivamente reconhecidos.
Com a Diocese de Roraima, queremos manifestar nosso respeito, solidariedade e apoio aos Povos Indígenas que habitam a terra demarcada e homologada. O Evangelho anunciado e acolhido por estes povos faz deles, cada vez mais, sujeitos da sua própria história.
Manifestamos nosso apoio ao trabalho que o Governo Federal vem realizando na Operação Upakaton 3. Esperamos que o processo de desintrusão da TIRSS seja rápido, pacífico e que a lei seja respeitada por todos, consignando o direito regulamentar das famílias retiradas ao recebimento de indenizações das benfeitorias decorrentes de ocupações de boa fé, conforme a Constituição.
Suplicamos que o Deus da Paz ilumine os caminhos dos Povos de Roraima e os conduza à convivência pacífica, alicerçada na verdade, na justiça e no respeito aos direitos de todos.
Dom Geraldo Lyrio RochaArcebispo de Mariana-MGPresidente da CNBB
Dom Luiz Soares VieiraArcebispo de Manaus-AMVice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara BarbosaBispo Auxiliar do Rio de JaneiroSecretário-Geral da CNBB

Cardeal preside missa dedicada aos enfermos na 46ª Assembléia da CNBBsexta: 04 de abril de 2008

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal dom Eusébio Oscar Scheid, presidiu na manhã desta sexta-feira, 4, a missa dos bispos reunidos em Itaici, Indaiatuba (SP), abrindo o terceiro dia da 46ª Assembléia da CNBB. O cardeal dedicou a missa aos enfermos.
Na homilia, dom Eusébio destacou a importância da caridade social como elemento inseparável da evangelização. “A maior glória da Igreja Católica depois da evangelização é a caridade social”, sublinhou. “Deus vai além da nossa capacidade racional, até mesmo quando somos iluminados pelo Espírito Santo”. O cardeal explicou, também, que São João foi um “extraordinário evangelizador, que não pensou apenas na palavra, mas na caridade” e que “devemos nos preocupar com a ajuda ao outro, ainda que seja somente psicológica”.
Plenário
Na primeira sessão de hoje, os bispos discutirão assuntos de liturgia que serão apresentados pelo presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia, dom Joviano de Lima Júnior. Terá inicio, também, a eleição dos bispos que representarão o Brasil no Sínodo dos Bispos, em Roma, no mês de outubro. A partir das 10h50, na segunda sessão, o assunto será Pastoral Afro-Brasileira, apresentado pelo bispo de Paranaguá (PR), Dom João Alves dos Santos.
A Assembléia dos bispos começou no dia 2 e se estende até o dia 11. Participam do encontro 300 bispos, além de administradores diocesanos, assessores e convidados.

Bispos explicam esquema das novas Diretrizes de Evangelização a serem aprovadasquinta: 03 de abril de 2008

“As diretrizes estão sendo elaboradas para atender de forma concreta a ação evangelizadora da Igreja no Brasil”, disse o bispo da diocese de Lorena (SP), dom Benedito Beni dos Santos, explicando aos jornalistas na entrevista coletiva, durante a 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Itaici (SP), nesta quinta-feira, 3 de abril. Além de dom Beni, atenderam à imprensa o bispo de Catanduva (SP), dom Antônio Celso de Queirós, e o arcebispo de Porto Velho, dom Moacyr Grechi.
Dom Celso explicou que as Diretrizes Gerais são um breve documento que tem um plano de ação evangelizadora por quatro anos. “Se formos estudar a história da Igreja no Brasil a partir das Diretrizes, que começaram a ser elaboradas após o Concílio Vaticano II, vamos perceber a mudança de consciência na ação evangelizadora da Igreja”, afirmou.
De acordo com dom Beni, “as Diretrizes contêm cinco capítulos: o primeiro é uma visão pastoral da realidade brasileira sócio-econômica e política; o segundo apresenta desafios pastorais; o terceiro, por sua vez, dá uma resposta a esses desafios colocando a Igreja em estado permanente de missão; o quarto apresenta pistas de ação pastoral nas pessoas, comunidades e sociedade; e o quinto fala da Missão Continental”. Ressaltou, ainda, “que todo o texto desemboca na missão continental da Igreja”. Para dom Celso essa Missão ainda está obscura. “É impossível pensar este processo em nível continental porque as situações são diferentes de região para região, mas é uma forma da Igreja se preocupar com o estado permanente de evangelizar”, sublinhou.“Vivemos numa época de transformação social, mudança cultural”, concluiu.
12º Interclesial
Questionado sobre o contexto do 12º Interclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), a realizar-se em julho de 2009, o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grechi explicou o que são as CEBs e falou de sua importância para Igreja. “As CEB’s são um movimento, talvez o único, que surgiu no Brasil e inspira os leigos a serem protagonistas da Igreja. A teologia da libertação teve grande contribuição nisso”.
O arcebispo lembrou, por outro lado, a realidade da Amazônia e denunciou a extração ilegal de madeira. “Quando vou às comunidades, aos domingos, vejo saírem 20 a 30 carretas de madeira roubada”.
Corrupção
“Se cada paróquia no Brasil formasse dez cristãos conscientes, o cenário cristão mudaria completamente”, afirmou dom Celso ao ser questionado sobre a corrupção no país. “A corrupção não está na política, mas na sociedade. Jogar a corrupção apenas na política é fugir das responsabilidades de todos”, concluiu.

Começa a primeira sessão da Assembléia da CNBBquarta: 02 de abril de 2008

O secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, coordenou a primeira sessão da 46ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil que começou hoje, 2 de abril, no Auditório Rainha dos Apóstolos, em Itaici (SP).
Dom Dimas Lara Barbosa, com a aprovação da assembléia, confirmou os redatores das atas e chamou para compor a mesa, o núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri; o prefeito de Indaiatuba, José Onério da Silva; o arcebispo de Campinas (SP), dom Bruno Gamberini e o diretor da Casa de Retiros da Vila Kostka, padre Emmanuel Araújo. Em seguida foi entronizada a imagem da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, o círio pascal e a bíblia.
O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio, saudou os participantes e invocando a santíssima trindade, declarou aberta, oficialmente a 46ª Assembléia Geral.
Padre Emmanuel Araújo deu boas-vindas e acolheu os bispos, em seguida, o prefeito José Onério disse que “a assembléia acontece todos os anos e temos a alegria de recebê-los neste município”. Afirmou ainda que “a CNBB é um sinal de ética neste ano de eleições”.
O núncio elogiou a Campanha da Fraternidade pelo trabalho que os bispos vêm realizando em todo o Brasil. Já o arcebispo de Campinas, dom Bruno Gamberini, lembrou dos 100 anos de criação de cinco dioceses no estado de São Paulo, inclusive a de Campinas.
Dom Geraldo Lyrio leu a carta enviada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimentando a CNBB pela realização da 46ª Assembléia Geral.
No palco, foram chamados os 15 novos bispos nomeados em 2007, que se apresentaram e disseram onde estão realizando suas funções. A Presidência saudou o novo cardeal nomeado pelo papa Bento XVI, dom Odilo Pedro Scherer, e comunicou que ele presidirá uma missa durante a assembléia.
O secretário geral fez referência a alguns pontos da pauta, dando ênfase a aspectos novos em relação à assembléia anterior.